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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Ceará no MSP50!



O Projeto MSP 50 foi criado pelo Editor Sidney Gusman inicialmente para homenagear os 50 anos de profissão do cartunista Maurício de Sousa, mas acabou se tornando o maior catálogo de autores de HQs do país. Reunindo gêneros e traços os mais diversos possíveis, todos adaptando os personagens do Maurício segundo sua própria ótica. O projeto, que acabou por transformar-se numa trilogia, abriu um novo leque de possibilidades mercadológicas para a Maurício de Sousa Produções, Editora Panini e para os autores envolvidos.

Os artistas cearenses que participaram desse ousado plano editorial estarão na Gibiteca de Fortaleza para falar sobre a criação e repercussão do trabalho e sobre seus próprios projetos. Denílson Albano, Lederly Mendonça, Daniel Brandão, Lene Chaves, Klévisson Viana e JJ Marreiro já confirmaram presença.

Este dia 28 de janeiro que comemora o Dia do Quadrinho Nacional será uma oportunidade de conhecer autores, estilos e abordagens distintas sobre Histórias em Quadrinhos...ou seja, exatamente o que a Maurício de Sousa Produções fez para ganhar novo vigor e vitalidade. Está na hora do Brasil conhecer os quadrinhos do Brasil.

Exposições, Palestras, Lançamento de Revistas e workshops estão na programação que pode ser conferida neste link.


Dia do Quadrinho Nacional - 2012
28 de Janeiro de 8h às 18h
PAINEL MSP 50 CEARÁ - 16:00 às 17:00
Gibiteca Municipal de Fortaleza
Biblioteca Dollor Barreira
Av. da Universidade, 2572, Benfica
ENTRADA FRANCA

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O PODER DOS QUADRINHOS

Fotolog do Lene Chaves

Todos estão carecas de saber que os quadrinhos são formas de arte completas. Quando falo essa ideia quero dizer que as histórias em quadrinhos não servem simplesmente para entreter, mas informar, emocionar e fazer pensar, demonstrando com acidez e/ou bom humor as mazelas políticas, sociais e pessoais de seus autores, leitores e de outros que muitas vezes não fazem a mínima ideia que existem tais formas de expressão no mundo.

Exemplos assim não faltam, desde o Batman apolítico/apocalíptico/terrorista de Frank Miller em "Batman Dark Knight", passando pelo V de "V de Vingança" do famigerado Alan Moore, até os blockbusters como "Guerra Civil" - que não deixam de refletir uma sociedade com medo do "melhor amigo" - e isso sem falar dos cartunistas brasileiros, que possuem a cultura da crítica tão forte em suas raízes desde Henfil - e nos primórdios com Ângelo Agostini - que é quase impossível contar a quantidade de artistas nacionais que se utilizaram de sua criatividade pela "causa maior", por mais simples que seja, que é a de gerar o pensamento crítico no leitor comum, friccionando com suas piadas mordazes e humor inteligente o cérebro muitas vezes inerte ou "preguiçoso" dos homens cotidianos.

Mudando um pouco de discurso, mas sem sair do tema, a sociedade atual, deitada no berço esplêndido da comunicação sem fronteiras e na liberdade de expressão gerada pela internet - nem que seja rápida e imediata - deu aos seus cidadãos o direito de se expressarem como quiserem sobre o que quiserem no momento que desejarem, mas que, infelizmente, é mal utilizado, gerando uma grande onda de mensagens vazias ou incompreensíveis quando não mais recebidas como alívios risonhos pouco duradouros e vazios do senso crítico necessário.

Isso pra mim não é arte nem forma de expressão válida, mas, na melhor das hipóteses, comédia de tarde de domingo, tão descartável quanto esquecível.

Impressionou-me então a tira que inicia esse post, uma verdadeira ilha de inteligência em meio à grande quantidade de mensagens bobas da internet, onde o autor - Lene Chaves, talvez um dos melhores do gênero - com um senso de humor mordaz e uma sagacidade de pensamento sem tamanho, conseguiu pegar um acontecimento triste, mas aparentemente sem resolução, e fazer-nos pensar sobre a atitude daqueles que proliferaram a ideia de: "condenar ela, devemos", sem antes sequer saber se a foto divulgada do caso era verdadeira ou falsa e correspondia à pessoa que cometeu o delito.

Vejam bem, em dois quadros Lene conseguiu criticar a atitude dos internautas, da ré e daqueles que se calaram diante o caso. Uma verdadeira pérola. Isso ao meu ver é quadrinho engajado, é quadrinho inteligente e crítico - por mais que por alguns possa ser considerado sem tato.

Não estou aqui dizendo que o entretenimento - leve, sem grandes desejos além do comportado em seu significado - deva ser deixado de lado, mas acredito que faltam mais exemplos como esse, em que a sociedade direcione seu olhar pra se si própria, suas atitudes e pensamentos, suas novas formas de relacionamento com as notícias e com as informações que são bombardeadas a cada link na grande rede.

Lene Chaves foi um que fez isso. Sinceramente espero que ele não seja o único.

Luís CS - redator do roteirozeapneia.blogspot.com, especialmente para o FQCE.

Atualizando a postagem já que o debate ganhou vulto. Primeiro o que está em questão não é a ação de um ou outro cartunista, mas a noção de limite que o artista impõe (ou não) a seu trabalho, assim como a perspectiva da mensagem cartunizada ter diversas interpretações ou dessa mesma mensagem ser mal interpretada. Essa é uma discussão não somente válida, mas importante para o amadurecimento profissional de quem lida com humor, cartum, charge e tira. Até onde vai o derecionamento do artista na construção de sua mensagem e até onde pode ir a interpretação dessa mensagem. A arte que abriu o debate veio do Lene Chaves, mas poderia ter sido qualquer outra algo do Angeli, Laerte, Mino ou do X, como esta abaixo. E por sinal essa tyira do X, faz a piado do Lene parecer brincadeira de parquinho.   
JJ Marreiro - cartunista